por Paulo Muzy e Rodolfo Peres
Vamos analisar de uma maneira simples...
Porque em certos períodos dizemos que menos é mais, aumentamos o
descanso e ainda assim melhoramos nosso físico contrariando o senso
lógico de que aumentando a capacidade física automaticamente melhoraremos a apresentação do nosso físico?
Uma das coisas que acontecem com praticantes de musculação, que é um
dado de exames relegado ou mal interpretado é a dosagem de ureia.
A ureia é uma substancia nitrogenada que participa do metabolismo
hepático e renal (aliás, para quem esqueceu, estes são órgãos primos: o
que afeta um afeta o outro de forma colateral, pois ambos são
responsáveis pela excreção de subprodutos do nosso metabolismo).
Quando em ambientes de acido úrico baixo, onde estamos falando de
atletas sem comprometimentos plurimetabólicos ou doenças metabólicas, a
ureia representa uma das formas de estimarmos a perda de proteínas
provenientes, inclusive e as vezes principalmente do metabolismo
muscular (lembra dessa parte de bioquímica? O fígado transforma a amônia
em ureia, e o rim filtra a ureia formando a urina, evitando o excesso
de perda de água e sais... além da ureia, diariamente o nosso organismo
perde aproximadamente dois gramas de creatina que é filtrada pelos rins
em forma de creatinina (lembra da creatina? Sintetizada espontaneamente a
partir de glicina, arginina e metionina, que 70 a 80% se torna
creatinina espontaneamente e o restante é resultado da transformação
enzimática da fosfocreatina pela fosforilcreatinina?) Pois é... perdemos
muita proteína...
Pois bem, exercício prolongado tende a
aumentar os níveis de perda de proteína e podemos ter uma ideia disso
avaliando os níveis de ureia: acima de 40 mg/dl, ou aumentos acima de
10mg/ml além da média dos níveis de ureia do atleta em acompanhamento,
já começam a nos dizer que é hora de diminuir volume de treinamento sob a
pena de, ao ignorar este índice, o individuo começar a perder mais
proteína para treinar do que consegue sintetizar em resposta ao treino,
fazendo com que o balanço final seja uma perda de massa muscular na
avaliação física subsequente (muitas vezes acompanhada ainda de uma
piora na resistência periférica a insulina e ganho de gordura).
Além disso, períodos de jejum prolongados são grandes produtores de
ureia. A máxima já bem conhecida de manter um fracionamento adequado, se
alimentando a cada três horas, é fundamental para manter níveis
adequados de ureia. Assim como eliminar totalmente o carboidrato da
dieta por períodos prolongados. Uma estratégia muito mais interessante
para pessoas com metabolismo lento e muito sensíveis ao carboidrato, é
ingerir esse nutriente apenas logo ao acordar e nos momentos pré e pós
treino. Outra ideia nessa situação seria alterar dias com baixa ingestão
de carboidratos com dias com ingestão moderada.
Ingerir uma
quantidade adequada de proteínas, fracionada adequadamente ao longo do
dia (presente em todas as refeições) é de fundamental importância. De
nada adianta ingerir 60 gramas de whey protein isolado após o treino se
nas refeições intermediárias, se come apenas uma fruta ou uma barra de
cereais. Todas as refeições devem conter proteínas de alto valor
biológico! A ingestão proteica deve estar de acordo com a intensidade do
treinamento. Apesar da ciência ter um pouco de dificuldade em comprovar
essa questão, sabe-se que quanto maior a intensidade de treino, maior a
necessidade de proteínas.
Bodybuilding é uma arte por isso: é
como ser um bom cozinheiro. Distribuir o calor no alimento por igual e
durante o tempo adequado é muito semelhante a distribuir a necessidade
de estimulo de forma homogênea pelas várias alças musculares do corpo e
nelas dar a intensidade, volume e intensidade de treino adequado. Assim
como distribuir os nutrientes nos momentos corretos e na quantidade
exata é primordial para se alcançar os objetivos almejados.
Ótima quinta a todos!
www.dicas-paraemagrecer.blogspot.com
Twitter.com@muzyperformance
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